Uma falha grave no sistema de freios pode ter contribuído diretamente para o tombamento do ônibus de turismo que deixou três mortos e 44 feridos na BR-262, em Ibatiba, no Sul do Espírito Santo.
Exames realizados pela Polícia Científica identificaram que o sistema de frenagem do segundo eixo do veículo estava comprometido. A perícia também apontou que o coletivo teria entrado na Curva da Ferradura a aproximadamente 90 km/h, velocidade considerada incompatível com as características do trecho.
O acidente aconteceu na noite de 27 de setembro de 2026, quando o ônibus retornava de Itaoca, no litoral Sul capixaba, para Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O tombamento ocorreu no km 151 da rodovia.
Segundo o perito Temístocles Macedo, responsável pelo exame, uma análise complementar foi realizada para verificar se problemas mecânicos poderiam ter contribuído para o acidente.
Os trabalhos envolveram aproximadamente cinco horas de exames especiais de engenharia, que revelaram deficiências importantes nas condições de segurança do ônibus.
Perícia identifica negligência grave no sistema de freios
De acordo com Temístocles Macedo, os exames identificaram negligência grave relacionada ao sistema de segurança do veículo, especialmente nos freios de serviço do segundo eixo.
O problema teria comprometido significativamente a capacidade de frenagem do coletivo e contribuído para a perda de dirigibilidade durante a passagem pela Curva da Ferradura.
O perito explicou que o sistema apresentava uma condição de desgaste na qual componentes metálicos entravam em contato direto durante a frenagem, situação descrita como “ferro com ferro”.
Nessas condições, o sistema do segundo eixo havia perdido sua capacidade de atuação.
Apesar disso, o ônibus não estava completamente sem freios. A deficiência atingia especificamente parte do sistema, reduzindo a eficiência geral da frenagem.
Ônibus teria saído da garagem com problema mecânico
Outro ponto destacado pelo perito foi a possibilidade de o veículo já apresentar a deficiência antes mesmo de iniciar a viagem.
Segundo Temístocles Macedo, os elementos identificados durante os exames indicam que o ônibus saiu da garagem com problemas no sistema de freios.
Na avaliação técnica, o coletivo não deveria ter iniciado o trajeto nessas condições.
O perito também ressaltou que a velocidade adotada ao entrar na Curva da Ferradura representava um risco elevado, especialmente para um veículo de grande porte.
A estimativa apresentada foi de aproximadamente 90 km/h, velocidade considerada excessiva diante das características da curva.
Ele explicou que seria necessário reduzir significativamente a velocidade para realizar a manobra com segurança.
Polícia Civil investiga possíveis crimes
O delegado Hélio Flávio, de Muniz Freire, explicou que o inquérito foi instaurado pelo delegado regional de Ibatiba, Bruno, inicialmente para investigar possíveis crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa.
Segundo ele, os laudos produzidos pela Polícia Científica serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias do tombamento e verificar eventuais responsabilidades.
A investigação busca determinar se houve imprudência, negligência ou violação do dever de cuidado, tanto em relação à condução do veículo quanto às condições de manutenção do ônibus.
O delegado destacou que os elementos técnicos permitirão aprofundar os questionamentos às pessoas envolvidas no caso.
A empresa responsável pelo veículo já foi ouvida durante as investigações, mas novas diligências poderão ocorrer após a análise completa dos documentos periciais.
Fonte: Aqui Notícias


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